sábado, 12 de maio de 2018

"INFUTEBULAR"


Num momento em que há fins de semana consecutivos os canais televisivos de informação gastam horas seguidas a louvar a "conquista" de uma competição nacional que quase não tem um atleta nacional em competição, não deixa de ser curiosa o comparativamente muito menor destaque prestado à conquista de um atleta português, numa competição do mais alto nível da modalidade disputado em Portugal... a grande vitória do nosso "Conquistador", João Sousa, vencedor do Estoril Open de 2018, a semana passada.

Excepções como esta são de louvar, e aqui partilho:

https://www.tsf.pt/desporto/interior/parlamento-destaca-garra-vimaranense-e-felicita-joao-sousa-pelo-estoril-open-9330489.html

Obrigado, João, por uma alegria que um apreciador português de desporto dificilmente algum dia esquecerá.

(E já vão 3...) :)

(Imagem retirada deste site)

domingo, 7 de janeiro de 2018

A BANALIZAÇÃO DO INACEITÁVEL


Num ano em que não uma, mas duas tragédias sem precedentes parecem ter aberto os olhos de uma nação para uma outra tragédia que, de outro modo, passaria mais uma vez adormecida entre tantas outras notícias - os incêndios que assolam o nosso país há décadas - após o fim de 2017, outra parece continuar... perdida numa letargia difícil de compreender:

As mortes nas estradas portuguesas.

O ano passado faleceram nas estadas portuguesas 509 pessoas. De acordo com um artigo no Diário de Notícias, aqui:

" De acordo com os números disponibilizados no 'site' da ANSR, que contabilizam a última semana de 2017 e têm dados acumulados de todo o ano, morreram nas estradas portuguesas 509 pessoas, mais 64 do que em 2016 (12,5%).

Foram registados 130.157 acidentes nas estradas (127.210 em 2016) e 2.181 feridos graves (2.102)."

E é assim, de forma fria e crua, que se refere que, em média, por dia, quase duas pessoas perderam a vida nas estradas.  Em média, por dia, quase 6 pessoas ficaram gravemente feridas nas estradas.

E um facto como este parece passar, entre tricas de Duponts e Duponts, raríssimas, financiamento dos partidos, gripes, secas, frio... sem que oiça ou veja qualquer real referência. Parece, para a grande maioria da sociedade,já algo... banal.

E isto custa-me a compreender. 

O meu Pai referia muitas vezes, que a sinistralidade nas estradas era comparável a uma guerra permanente no nosso país, com vitimas mortais todos os dias. E ele tinha absoluta razão. Só para se ter uma noção do drama vivido, há mais de 50 anos, no nosso país, fui buscar ao Pordata, aqui, os seguintes valores:





Nem vou ofender os sentimentos de quem viu os seus amados partir, dizendo coisas como "mas olhem, reparem como a sinistralidade, apesar de tudo, tem diminuído..." Continua a ser demais. Grotescamente demais.

Fala-se de quanto nos custou a crise, e o resgate pedido ao FMI... Então, vejam o que nos tem custado, não só em vidas mas também finaceiramente, os acidentes, só nesta década, até Setembro do ano transato:

"Desde o início desta década e até à semana passada morreram nas estradas portuguesas 5.424 pessoas, com os acidentes rodoviários a provocarem um prejuízo económico superior a 15 mil milhões de euros."

Não pretendo aqui dissertar sobre possíveis motivos, e formas de combater esta tragédia interminável. Nem é suposto. Fala-se que o Estado falhou com o País, em relação aos incêndios? Então e em relação às estradas? Falha connosco há décadas, sem que se veja mais que um outro vídeo de sensibilização inerte, e imberbe no impacto que tem. 

COMO é que algo com esta enormidade não está no topo da agenda política em Portugal?!  Que "Pedrogão" será necessário acontecer (mais) nas nossas estradas, para que igualmente o país acorde para este drama, e se mobilize?!


(Foto retirada do site www.bombeiros.pt, deste artigo)
 

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

"INTRUMPALHAR"

Tanto se fala sobre esta personagem, tanto se escreve sobre Donald Trump, em particular desde que ele, perdendo o voto popular se tornou o Presidente da (segunda) nação mais poderosa do mundo, que nem me apetece alongar demasiado a falar sobre... tal coisa vagamente humanoide. 

Mas depois de ter visto ontem a "nova" dele, de anunciar a mudança da embaixada dos estados unidos para Jerusalem, no mesmo dia em que o filho era ouvido sobre as "alegadas" interferencias russas na eleição de 2016... fica a clara noção do que esta pessoinha será capaz de fazer para se manter no poder. Por exemplo, desviar atenções, à custa de um anúncio que irá custar milhares de vidas nos próximos tempos (recordam-se da segunda intifada, depois de uma certa e determinada visita à Esplanada das Mesquitas? Pois bem, vejam, aqui, o novo anúncio do Hamas, depois disto...) 

E veio-me a imagem de que se Trump um dia levar com um belo de um impeachment em cima, ele sai, mas antes de sair do gabinete, prega com um murro com toda a força num certo botão vermelho... 


terça-feira, 5 de dezembro de 2017

"IMPUBLICITAR"


Muitas vezes, penso no quanto gostaria de ser um criativo da publicidade.

Não porque inveje salários, não porque considere que constitui um trabalho de grande importância, uma espécie de "óleo da engrenagem" do motor da economia, no sentido que é ela que ajuda a que se conheçam e se demandem produtos, logo, fazendo a economia mexer. Não.

Eu queria era poder ser o criador de cartazes... como este:




Nesta bela obra de arte da montagem fotográfica, temos o anúncio a um serviço médico online de uma seguradora, tentando exemplificar o quão benéfico, cómodo e avançado é poder usar a tecnologia para ter consultas médicas em casa. A senhora até tem um cãozinho elétrico (muito mais conveniente que um real, pois então: não deita pelo, não tem de ir à rua fazer as necessidades, e nem tem que se lhe dar comida, só pilhas). 

Mas neste "quadro futurista", há um pormenor que se destaca de todos os outros. O médico, através do tablet, a olhar para a senhora. Toda a expressão é deliciosamente errada: não está a olhar com um sorriso afável e caloroso para a senhora. A cara não transmite segurança, apesar dos seus jovens anos. Não... Há ali uma espécie de estranha cobiça, um olhar quase lascivo que se torna bem estranho neste contexto. Atenção: sou todo a favor de amor livre, sem preconceitos. Mas GILFs, é onde traço o meu limite. (Quem não souber ao que corresponde aquele acrónimo, por favor procure por si, que este blog ainda tenta ser um estabelecimento respeitável, ao contrário de gabinetes de certos criativos publicitários...)

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

A CONSTANTE PARCIALIDADE INSTRUMENTALIZADA




Vejo com interesse os constantes artigos de opinião, comentários, avaliações e dissertações sobre a questão dos professores, e da sua reivindicação para que os anos em que as suas carreiras estiveram congeladas sejam contabilizados. Refere-se, por exemplo, no Expresso de hoje que: 

"Se efectivamente o Governo aceitar que o tempo em que as carreiras dos professores estiveram congeladas, entre 2010 e 2017, conte para efeitos de progressão, então o esforço financeiro será de €650 milhões; e se isto for aceite todos os outros funcionários públicos exigirão o mesmo, o que custará mais €440 milhões ao Orçamento do Estado". 

Tudo certo, tudo válido, penso que é de aceitação geral que o estado que temos é demasiado pesado e ineficiente para o que nele se gasta. É de todo incomportável pedir esse esforço ao nosso país. E nem vou sequer entrar pelas diferenças que existem entre quem trabalha no Estado e no Privado. 

A minha única questão é: Porque é que um valor de 1090 milhões de euros é tão chocante e aviltante, mas já se aceita de forma tácita e com alguns resmungos entre dentes que o Estado, entre 2007 e 2015 tenha pago 13 mil milhões de euros para salvar bancos... privados? Diz um artigo no DN, aqui: 

"Desde 2007 a ajuda pública ao setor financeiro equivale a 7,3% do PIB e a um ano de receito do IVA". 

E assim e vê como a informação parcial, controlada para passar uma posição altamente polarizada, leva a uma atitude reactiva de todos nós, "malditos funcionários públicos", e nos faz esquecer quem de facto esteve no epicentro de tudo o que nos tem acontecido... 

(Fico a aguardar mais uma qualquer explicação fundamentada e altamente conhecedora, de como toda a nossa economia, indústria, país, e o próprio tecido da realidade de desintegraria se não salvássemos os bancos da sua própria especulação irresponsável... quando não criminosa...)




"INFUTEBULAR"

Num momento em que há fins de semana consecutivos os canais televisivos de informação gastam horas seguidas a louvar a "conquista&qu...